Mudas do Reflorestamento

O projeto de reflorestamento Corredor Monte Pascoal – Pau Brasil, na Bahia, virou objeto de estudo do Governo Japonês sobre a viabilidade de aplicação do modelo MDL para projetos de carbono florestal.

Admirado com o grau de complexidade e estruturação do projeto, Yuhei Tanahashi, um dos membros da comitiva japonesa, disse que o CMPPB era um dos mais impressionantes projetos de restauração florestal no mundo e ressaltou o modo como a participação do IBio contribuiu para o fortalecimento das relações entre as partes interessadas, ou seja, sociedade civil, governo e empresas.

Os pesquisadores Yuhei Tanahashi, do Centro Internacional Japonês para a Promoção e Cooperação na Silvicultura, e Shinsuke Yazaki, do escritório de administração de meio ambiente e materiais da Kanematsu Corporation, vieram ao Brasil para iniciar um projeto de estudo sobre a possibilidade de adaptação do projeto CMMPB para certificação no modelo MDL – ambos em nome da Agência de Florestas do Ministério de Agricultura, Florestas e Pescas do Governo do Japão.

O estudo sobre MDL está sendo feito em parceria com a consultoria ambiental Way Carbon, do Brasil. Marco Antonio Fujihara, coordenador geral da WayCarbon, acredita que o estudo terá efeito demonstrativo de que é possível fazer MDL de florestas no Brasil. “Creio que o setor florestal brasileiro deveria tomar [o estudo] como base de todas as negociações futuras de florestas, inclusive as florestas plantadas,” disse.

Para Matheus Alves de Brito, diretor da WayCarbon, o projeto CMPPB foi escolhido por ter um grau de maturidade avançado, arranjo institucional sofisticado de múltiplas parcerias, que abrangem desde grupos comunitários até organizações internacionais, como a Conservação Internacional e The Nature Conservancy, e por visar o mercado voluntário de carbono. Brito explicou ainda que o interesse do Governo Japonês em estudos desse tipo é duplo: selecionar projetos para investimento mais substancial e indicar caminhos, através de estudos de caso, para a reforma do MDL.

O projeto de estudo sobre MDL florestal é financiado pela Agência de Florestas do Ministério de Agricultura, Florestas e Pescas do Governo do Japão, em parceria com a consultoria ambiental Way Carbon e o Instituto BioAtlântica. Os dados levantados pelo estudo servirão de base para uma análise comparativa da relação custo-benefício do padrão MDL frente ao padrão voluntário de acreditação, como o Verified Carbon Standard (VCS). O projeto CMPPB encontra-se atualmente em processo de adequação ao padrão VCS  e o estudo testará a possibilidade de inseri-lo também no mercado regulado, através do MDL. Hoje, o CMPPB possui o selo de sustentabilidade da Aliança Clima, Comunidade e Biodiversidade (CCBA, sigla em inglês). De acordo com Chris Holvorcem, coordenadora de programa do Instituto BioAtlântica, o padrão voluntário é mais viável, por oferecer um processo de negociação e acreditação mais simples em comparação ao padrão MDL, que costuma ser rígido e custoso. O Governo Japonês disponibilizou cerca de US$ 40 mil para o estudo, que será realizado entre setembro de 2011 e fevereiro de 2012.

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